segunda-feira, 22 de março de 2010

Sob a luz do crepúsculo


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Especialmente
dedicado
a Lary e May
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Agradeço a
Thales, Mariana, profª Gabriela e Lary, por me emprestarem
Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer, respectivamente.
E a Bruna, pelo filme.

PREFÁCIO
Ele não se importava com a neve, nem com o frio.
Só o que importava era salvar a vida do amor da sua vida.
Por sua culpa, ela estava numa cama de hospital, agora.
Porque ele escondera toda a verdade dela.
Mas ele nunca a traíra, nunca mentira.
Se a dor perfurava seu braço, naquele instante, talvez fosse bem feito, contudo, ele não ia desistir.
Ela era mais importante.

CAPÍTULO UM
O sinal tocou, anunciando a hora do almoço. Fred e Lory dirigiram-se ao refeitório. Pegaram suas bandejas e sentaram-se à uma mesa desocupada. A garota morena, de cabelos e olhos castanhos, abriu o livro, que trouxera, junto à bandeja, quando uma garota loira - Charlotte Vine - aproximou-se.
– Vim convidar vocês pra minha festa, no fim de semana – disse ela, estendendo um envelope cor-de-rosa para cada um. – Apareçam por lá.
– Obrigada, Charlotte – disse Lory. – Eu não vou a essa festa nem morta – falou, depois que a garota saiu, colocando o envelope dentro do livro.
– Eu vou – disse Fred (moreno, de cabelo preto, cortado redondo). – E você tá lendo essa baboseira de Edward * e Bella* de novo!?
– Vou reler todos. E fica quieto, que você também leu.
– Só Eclipse* e Lua Nova* – defendeu-se Fred. – E a parte de Jacob*, de Amanhecer*.
– E aí, pessoal? – perguntou uma garota ruiva de farmácia, sentando-se ao lado de Lory.
– Oi, Mel. A Kate tá doente, né?
– Chegou a outra crepusculomaníaca – brincou Fred.
Eles ficaram conversando até o sinal tocar.
– Ah, meu Deus! Aula de Matemática – disse Fred, desanimado.
Lory fechou o livro de capa preta, com duas mãos segurando uma maçã, e os três saíram.
A profª Marih, de Matemática, era muito severa. Exigia que os alunos ficassem mudos, durante a aula; quem não copiasse a matéria ficaria na detenção e não tolerava brincadeiras. Fred não se importava com isso: fez uma bolinha de papel, prendeu-a na extremidade de um canudinho e soprou pela outra. A bolinha voou direto na nuca da professora.
– Sr. Holoway – disse a professora, virando-se. Seus lábios vermelhos crisparam-se. – Detenção. E devo dizer que seu pai não ficará nada feliz com seu comportamento.
– Me “ferrei” – disse Fred.
– Srta. Watson, detenção, também.
– Valeu, Fred – disse Lory, fechando a cara.
No fim das aulas, os dois encontraram-se com a professora, na biblioteca. Ela disse que eles deveriam organizar todos os livros que estivessem fora de lugar. Eles começaram o trabalho... Logo, a biblioteca ficou vazia, exceto pela sra. Garrett, a bibliotecária.
– Gostaria de ser uma vampira, para terminar mais rápido – disse Lory.
– Ah, Lory, você vive no mundo da fantasia.
– Eu não estou falando com você.
– Crianças – Marih entrou na biblioteca –, parece que vai chover. Vou levá-los para casa.
A sra. Garrett e o zelador ficaram fechando a escola, enquanto eles iam para o estacionamento e entravam no carro da professora. Estava chuviscando e era hora do crepúsculo.
A cidade era pequena. Os garotos moravam na mesma rua e a professora, duas ruas depois. A chuva se intensificou e começou a trovejar e relampejar... Os limpadores de para-brisa trabalhavam no máximo... Do nada, uma figura de capa preta atravessou na frente do carro...
(*) Personagens e títulos da série Crepúsculo são propriedade de Stephenie Meyer. Todos os direitos reservados. 
CAPÍTULO DOIS
Marih pisou no freio. Parou a alguns milímetros da figura.
– Ah, meu Deus – disse, saindo do carro para chuva. – Você está bem? – gritou.
– Estou. Me desculpe, senhora.
– Eu que peço desculpas. Entre, vou levá-lo para casa.
– Não precisa.
– É o mínimo que posso fazer.
O rapaz entrou no carro e baixou o capuz. Seu cabelo castanho estava pingando água. Ele virou-se para trás e desejou “Boa noite”. Ele encontrou os olhos de Lory e sorriu. A garota também sorriu, enrubescendo. Ela pensou como o sorriso dele era perfeito.
– Qual seu nome, querido? – perguntou a mulher, ligando o carro.
– Peter Baudelaire – respondeu, olhando para frente.
– Sou Marih Mason. Esses são Fred Holoway e Lory Watson, meus alunos... Onde você mora?
– Na Rua da Liberdade, mas estava indo à farmácia.
– Então o levo lá.
– Não precisa se incomodar, sra. Mason.
– A única casa desocupada na Rua da Liberdade é a mansão dos Scott – lembrou Fred.
– O sr. Scott era meu avô materno – Peter disse, olhando para trás.
– O sr. Scott e meu pai eram muito amigos – Lory disse.
Marih estacionou em frente à farmácia.
– Obrigado, sra. Mason. – Philip virou-se para trás. – Tchau, pessoal.
– Não quer que eu espere? – a professora perguntou.
– Não, obrigado – disse, descendo do carro. Fechou a porta. A sra. Mason deu a partida e fez o retorno para Rua Dois. A chuva estava diminuindo.

CAPÍTULO TRÊS
– E aí? Como foi a festa? – perguntou Lory a Fred, enquanto caminhavam para entrada da escola.
– Eu não fui – respondeu Fred, cabisbaixo. – Tô de castigo. De novo. Se continuar assim, vou ficar de castigo até 2100.
Lory estava com vários livros nos braços. Ao chegar à porta, ela esbarrou em um garoto que vinha na direção contrária e derrubou tudo.
– Desculpa – ela disse, abaixando-se para pegar os livros. O garoto abaixou-se também, para ajudá-la.
– Eu que peço desculpas – disse ele, estendendo a mão para pegar um livro e tocando a mão dela. Foi quando levantaram a cabeça e se reconheceram. – Ah, oi, Lory – ele sorriu, entregando os outros livros a ela.
– Obrigada – ela sorriu também.
– A Lory consegue ser tão desastrada quanto a Bella – disse Fred, rindo.
– Bella? – perguntou a garota, que vinha com Peter.
– É, de Crepúsculo – disse Fred.
– Deixa eu apresentar vocês – disse Peter. – Essa é Anna, minha irmã. Esses são Lory e Fred.
– Ah, Lory. O Peter falou muito de você.
– Anna – disse Peter, enquanto ele e Lory desviavam os olhares.
– E ele falou de mim? – perguntou Fred, passando a mão nos cabelos. O sinal tocou. Peter ofereceu-se para levar os livros de Lory.
– Lory e Fred – disse Charlotte, quando eles entraram na sala –, senti falta de vocês na festa. A filha do prefeito não ir a minha festa – e fez cara de decepcionada.
– Eu realmente não pude ir – disse Lory –, mas você recebeu meu presente, né?
– Recebi, obrigada.
– Eu tava de castigo – disse Fred, envergonhado, por Anna estar ouvindo.
– Oi, Peter; oi, Anna.Conseguiram uma vaga aqui? Que ótimo – disse, com um sorriso falso e saiu.
– Conhecem a Charlotte? – perguntou Fred.
– Nossa prima – disse Anna, indiferente. – Ela é filha do irmão do vô Scott.
Eles sentaram-se e o professor entrou na sala.
No dia seguinte, no refeitório, fim do almoço. Mel, Kate (morena, de cabelo cacheado e aparelho dentário) e Lory estavam conversando.
– Ouvi um comentário que o Peter feriu o pai – disse Mel a Lory –, por isso eles fugiram pra cá.
– Esse povo fala demais – disse Lory, quando Peter e Anna aproximaram-se...
– É, pessoal, aula de Espanhol – disse Fred, triste, quando o sinal tocou.
– Tem alguma matéria que você goste? – perguntou Anna. – Você sempre faz um comentário tipo esse.
– Acho que não. Mas por você poderia virar o melhor aluno da escola – disse o garoto.
– Uuuuh, declaração de amor – fizeram os outros.

CAPÍTULO QUATRO
Peter, Lory, Fred, Anna e Mel estavam na casa de Lory, para fazer um trabalho de Literatura, quando o sr. Watson (alto, gordo, de cabelos castanhos e barba) chegou. A filha apresentou-lhe Peter e Anna.
– Nossa, como você é parecido com seu avô – disse ele ao garoto. – Eu sei que ele tinha alguns problemas com a sua mãe, por ela ter casado com alguém como o Baudelaire, mas ele sempre falava de vocês. Como vai a Camille e seu pai?
– Eles se separaram, mas minha mãe está bem.
– Pai, o Peter não gosta de falar sobre isso – disse Lory.
– Me desculpe. Mas estou feliz de saber que a Lory namora um garoto do seu porte.
– Pai, a gente não namora. – A garota ficou vermelha. Fred começou a rir.
– Ah. Não? – perguntou o homem, confuso.
– Pai, a mamãe deve está ansiosa para vê-lo. E nós temos um trabalho para fazer.
Fred estava se sacudindo de rir, quando o sr. Watson subiu as escadas.
– O que é isso? – perguntou Fred, pegando alguma coisa embaixo da almofada, na qual se sentara – um livro. – Já tá em Lua Nova?
– Já – respondeu Lory, pegando o livro.
– Você prefere os lobisomens ou os vampiros? – perguntou Anna.
– Vampiros. O Edward é o príncipe dos sonhos...
– Quem ama não abandona, não mente... – Anna olhou para Peter.
– Vamos fazer o trabalho ou discutir Crepúsculo? – perguntou Peter. – Os vampiros e os lobisomens não vão vim fazer o trabalho pra gente, não.
– Então você toca violão? – perguntou Lory, quando os dois estavam na Sorveteria, num domingo.
– É. Um dia desses toco pra você.
– Posso te perguntar uma coisa?
– Sobre os boatos de que eu feri meu pai?
– Como sabe?
– Não é bem como tão dizendo...
Um garoto magro e ruivo entrou na Sorveteria e viu Peter. Ia falar com ele, mas Peter apontou Lory e fez sinal negativo, com a cabeça.
– O casal tá’qui – Fred aproximou-se, de mãos dadas com Anna.
– Como foi o cinema? – perguntou Lory.
– Maneiro. Apesar da Anna ter feito eu assisti Crepúsculo, de novo – disse Fred. – O que a gente não faz pela namorada.
Namorada? – perguntou Anna.
– É – e pegou a mão da garota. – Anna, aceita namorar comigo?
– Aceito. – Os dois abraçaram-se e se beijaram.
O Baile de Inverno estava chegando. Charlotte sabia que Lory e Peter eram favoritos para rei e rainha, então ela decidiu contar o que sabia sobre Peter para Lory e separar os dois, antes que eles ganhassem.
– Ela não pode se dar bem em todas – disse Charlotte a sua amiga, quando estavam no carro, indo para casa. – Não vou ser princesa de novo.
E, no dia seguinte, durante o horário vago de Biologia, Charlotte encontrou Lory sozinha, conversando com a professora de Espanhol. Quando a srta. Hernández saiu, ela foi falar com a garota.
– Eu sei que você e o Peter estão namorando ...
– Não estamos namorando. Somos amigos.
– Amizade precisa de sinceridade, você não acha? Então talvez o Peter tenha te contado que ele está trabalhando para os Martins.
– Não, mas o que há de errado nisso?
– Nada. Só o fato dele e a família terem perdido tudo e o seu pai ter muito dinheiro para emprestar.
De repente a ficha de Lory caiu. Por isso, Peter era tão esquivo ao falar sobre a família e nunca a levou para conhecer a mãe dele. Talvez até a história do pai fosse verdade. A garota saiu correndo e encontrou Fred, Anna e Peter na sala.
– Peter, é verdade que sua família perdeu tudo?
– Quem te disse isso?
– PERGUNTEI SE É VERDADE – gritou Lory, e alguns colegas, que estavam no fundo da sala, olharam para ela. Peter não respondeu. Ela pegou a mochila e saiu...

CAPÍTULO CINCO
Lory estava caminhando no parque, um pequeno espaço arborizado, no centro da cidade, com suas amigas.
– Eu sabia que ele tava trabalhando na loja do meu tio, mas eu pensei que você sabia – disse Kate a Lory.
– Não me importo com isso, mas dele estar interessado no dinheiro do meu pai.
– Olha quem vem ali – disse Mel e Lory viu Peter vindo em sua direção. Ela se virou e começou a andar na direção contrária. Peter colocou-se em frente à ela e se ajoelhou.
– Deixa eu te explicar o que aconteceu.
– Que lindo – disse Kate. – Dá uma chance a ele.
– Ok, pode falar – disse Lory.
– Pode ser em outro lugar?
As meninas despediram-se e foram embora. Os dois sentaram-se num banco. Peter contou a Lory que sua mãe tinha recebido a herança do sr. Scott, mas seu pai tomava conta de tudo e não queria que a mulher gastasse nada. Numa das brigas, Peter foi defender a mãe e o pai caiu sobre uma mesa de centro, machucando-se um pouco.
O sr. Baudelaire colocou os filhos e a mulher para fora de casa. Uma amiga de Camille Baudelaire acolheu-os, mas quando Camille foi ver sua conta no banco, o marido havia pego tudo e fugido. A única coisa que restara foi a velha mansão.
– E a sua mãe quer transformá-la em um hotel? – perguntou Lory.
– É. Mas a tia Sílvia e o sr. Vine se negaram a emprestar dinheiro. Eles querem tomar conta do lugar e nós sermos seus inquilinos. – Philip olhou para ela. – Mas eu nunca pensei no dinheiro do seu pai. Só não te contei nada porque seu pai disse que ficava feliz em saber que você tava com um garoto como eu. Com certeza ele tava falando em relação à minha família e a fortuna.
“Eu não queria me afastar de você, caso ele descobrisse que eu tava pobre e achasse que eu não era boa companhia pra você.” – Ele tocou a bechecha dela.
– Meu pai realmente se importa um pouco com status social, mas eu não. Queria só que você tivesse me dito a verdade.
– Me perdoa?
– Eu não sei.
Depois da conversa, Lory e Peter manteram-se afastados, falando somente o necessário. Mas, na semana seguinte era aniversário de Lory, e Mel teve a ideia de fazer uma festa surpresa. Peter decidiu, então, fazer uma declaração para garota e pedir desculpas, na frente de todo mundo.
Sexta-feira, 30 de setembro. Mel e Kate conseguiram convencer Lory a ir até a Lanchonete. Quando chegaram, todos gritaram “Surpresa’’ e cantaram parabéns. Elas levaram a garota até o pequeno palco, onde Peter e Anna estavam. O garoto, com o violão no colo, começou a tocar:
[Peter]
Quiero hacerte un regalo
Algo dulce
Algo raro
No un regalo común
De los que perdiste o nunca abriste
Que olvidaste en un tren o no aceptaste
De los que abres y lloras
Que estás feliz y no finges
Y en este día de septiembre
Te dedicaré
Mi regalo más grande

Quiero donar tu sonrisa a la luna así que
De noche, quien la mire, pueda pensar en ti
Porque tu amor para mi es importante
Y no me importa lo que diga la gente
Porque
Aún con celos se que me protegías y se
Que aún cansada tu sonrisa no se marcharía
Mañana saldré de viaje y me llevaré tu presencia
Para que
Sea nunca ida y siempre vuelta
Mi regalo más grande...
Mi regalo más grande...
[Anna]
Quisiera me regalarás
Un sueño escondido
O nunca entregado
De esos que no se abrir
Delante de mucha gente
Porque es el regalo más grande es
Sólo nuestro para siempre
Quiero donar tu sonrisa a la luna así que
De noche, quien la mire, pueda pensar en ti
Porque tu amor para mi es importante
Y no me importa lo que diga la gente
Porque
Aún con celos se que me protegías y se
Que aun cansada tu sonrisa no se marcharía
Mañana saldré de viaje y me llevaré tu presencia
Para que
Sea nunca ida y siempre ...
[os dois]
y si llegara ahora el fin que sea en un abismo
no para odiarme sino para intentar volar y..
y si te niega todo esta extrema agonía
si aún la vida te negara, respira la mía
y estaba atento a no amar antes de encontrarte
y descuidaba mi existencia y no me importaba
no quiero lastimarme mas amor, amor, amor...
Quiero donar tu sonrisa a la luna así que
De noche, quien la mire, pueda pensar en ti
Porque tu amor para mi es importante
Y no me importa lo que diga la gente
Y tu...
amor negado, amor robado y nunca devuelto
mi amor tan grande como el tiempo, en ti me pierdo
amor que me habla con tus ojos aquí enfrente
y eres tú
Eres tú
Eres tú...
El regalo más grande
*
– Dedico essa música a Lory – disse Peter – e gostaria de saber se você quer namorar comigo.
– Vai lá – disse Kate e Mel, empurrando Lory para cima do palco. Ela se desequilibrou e Peter a segurou.
– Você aceita? – ele perguntou.
– Aceito – disse ela, chorando, e os dois se beijaram, sob as palmas e assobios.

(*) Música interpretada por Anahí, Dulce e Tiziano Ferro, no CD A Mí Edad. Letra disponível em www.vagalume.com.br. Todos os direitos reservados. 


CAPÍTULO SEIS
Era novembro. Estava fazendo muito frio. O vento fustigava as janelas do refeitório. Anna, Fred, Lory, Peter, Mel e Kate estavam sentados à mesma mesa. As meninas conversando sobre a estreia próxima de Lua Nova e os meninos sobre baseball. Depois, eles passaram à discussão do que iam fazer no fim de semana e marcaram de assistir a um filme, na casa de Lory.
– Não posso – disse Fred. – Eu estudar Matemática com a Anna – e deu um beijo no topo da cabeça da namorada.
– É, nunca pensei que viveria pra ver este dia – disse Lory. – Fred recusando um filme para estudar.
– E Matemática – completou Kate. – Parabéns, Anna. Anna? – a garota estava pensando em alguma coisa e não escutara a conversa.
– Tudo bem? – perguntou Fred.
– Tudo – respondeu Anna...
No fim de semana, Fred foi à casa de Anna para estudar, mas a garota estava muito dispersa. O garoto perguntou o que estava acontecendo. Ela disse que seu ex-namorado estava doente e ela gostaria de ir vê-lo, já que eles continuavam amigos.
– Não impedir você de ir. Mas seja sincera: ainda gosta dele?
– Não sei. Mas saber que ele tá mal mexeu comigo.
– Então, até que você tenha certeza – ele pegou os livros e saiu...
Fred adotou uma postura indiferente a Anna, nos dias seguintes, e estava sempre de mau-humor. Brigou com Lory, dizendo que ela não se importava mais com ele desde que começara a namorar Peter.
– Isso não é verdade – defendeu-se Lory. – E você estava bem ocupado com a Anna. Eu sinto muito que vocês tenham terminado. – E os dois abraçaram-se.
No dia 20 de novembro, Lory e as meninas combinaram de ir assistir à estreia de Lua Nova, em Vancouver. Fred teve de levá-las, já que nenhuma tinha carro. Ele ficou ainda mais chateado quando Lory disse que eles iam passar na casa de Anna.
– Ah, que chatice morar numa cidade pequena – disse Lory, entrando no carro. – Tem só uma sala de exibição e não passam os filmes em cartaz...
Chegando à casa de Anna, Lory saltou do carro. Viu Peter e Charlotte conversando. Depois se abraçando.
– Oi – disse, aproximando-se. – Onde está a Anna? Olá, Charlotte.
– Oi, Lory.
Anna saiu de casa. Peter não iria com eles, então as garotas despediram-se e saíram. Lory perguntou a Anna o quê Charlotte estava fazendo ali, mas a garota não soube responder.
Depois do filme, Fred levou cada garota até suas respectivas casas. Ao chegar à casa de Anna, ela desceu e agradeceu, mas Fred a chamou, descendo do carro.
– Quando você vai?
– Próximo fim de semana.
– Vô ficar te esperando, caso decida voltar – disse Fred e sorriu. Anna sorriu também e entrou em casa.

CAPÍTULO SETE
Na segunda, Lory estava conversando com Mel e Kate, antes do professor entrar na sala, quando viu Peter e Charlotte chegando, juntos. Ele, carregando os livros dela.
– A Charlotte tá estranha. Esses dias ela falou comigo – disse Mel. – Ela nunca falou comigo.
– Tá rolando um boato que ela tá grávida – disse Kate. – Ela passou mal na aula de Educação Física, semana passada.
O professor de História entrou na sala e Peter sentou-se perto de Lory. A garota perguntou a ele por que de repente havia tornado-se amigo de Charlotte. Ele disse que ela estava precisando da ajuda dele.
– Será que o sr. Baudelaire e a srta. Watson gostariam de dividir a discussão com a classe? – perguntou o professor.
– Desculpa, sr. Kent...
No fim da aula, Peter disse a Lory que lamentava muito. Charlotte tinha um problema e contara a ele, mas não podia contar a ninguém.
– Tá ok – disse Lory. – Só pensei que não havia segredos entre nós.
– Não há, querida – disse ele, dando um beijo na bochecha dela.
Mel aproximou-se, dizendo que tinha uma ideia para o Baile de Inverno e Peter saiu.
– Ah, eu interrompi alguma coisa? – perguntou Mel, sem graça.
– Não. Pode continuar.
– Então, eu pensei em algo como...
Em 1º de dezembro, era aniversário de Fred. No café-da-manhã, seu pai disse que daria a ele a velha moto, companheira sua, de juventude, mas a qualquer deslize, tomaria de volta. O garoto ficou muito feliz e chegou à escola causando sensação. Ele só não estava mais feliz porque Anna tinha viajado, no sábado.
Lory estava concentrada na organização do Baile de Inverno (o projeto de Mel e dela foi aprovado pela Comissão Organizadora), por isso ela e Peter raramente se falavam. E o garoto estava sempre acompanhado de Charlotte.
Charlotte pediu a Lory para ajudar na organização do Baile e ela não pôde recusar, porque havia muito trabalho. A partir desse dia, Peter passou a frequentar as reuniões. Foi a gota d’água para Lory.
– Quando eu te falei do Baile você não se importou – disse Lory, enquanto atravessavam o estacionamento. – O que você tem com a Charlotte?
– Nada. Ela só precisa de cuidado e ajuda.
– Então agora vai poder se dedicar inteiramente a ela. Acabou, Peter – disse, com raiva e começou a andar rápido.
– Lory!
Ela encontrou Fred e ele ofereceu uma carona.
– Lory, é perigoso – disse Peter, mas ela subiu na moto e eles saíram...
Não estavam em alta velocidade, mas a pista estava escorregadia, por causa da chuva e da neve, no dia anterior. Um alce atravessou a pista... Fred desviou e perdeu o equilíbrio...

CAPÍTULO OITO
Peter chegou em casa e Camille estava muito aflita, preparada para sair.
– A Lory sofreu um acidente, querido – disse ela...
Quando os dois chegaram ao hospital, encontraram Fred saindo de lá, com o braço engessado, acompanhado do pai.
– Se acontecer alguma coisa com a Lory, você vai se arrepender – disse Peter a ele.
– Como se você estivesse cuidando muito bem dela – disse Fred.
– Eu sinto muito pelo que aconteceu – disse o médico. – Mas ela vai ficar bem.
– Não culpem o garoto. Acidentes acontecem – disse a sra. Baudelaire. – Vamos, filho.
Os dois entraram na sala de espera e encontraram o sr. e a sra. Watson muito aflitos. O sr. Watson também estava muito aborrecido com Fred e o proibira de visitar Lory.Peter ficou pensando no que Fred dissera. Ele era culpado, também. Deveria ter impedido a garota de subir naquele moto.
O médico chegou perguntando se Lory tinha tomado a vacina anti-tétano. A sra. Watson disse que não. Ela ainda estava inconsciente e precisava tomar esta vacina, urgente, por causa do ferimento na perna, mas eles não a tinham em estoque. Além disso, as estradas estavam bloqueadas por causa da neve no dia anterior, com promessa de tempestade para aquela noite.
– Se minha filha precisa desta vacina, vocês têm de ir buscar – disse o prefeito.
– Não posso me responsabilizar por alguém morrer numa tempestade de neve, senhor. E as estradas estão bloqueadas – disse o médico e saiu.
Peter teve uma ideia. Foi até a casa de Fred, pediu desculpas por ter sido tão grosso, contou sobre a vacina e pediu a ajuda dele, para ir buscar a vacina.
– Me empresta a moto, por favor.
– Já que não posso ver a Lory, vô fazer alguma coisa para ajudar – disse Fred, pegando a chave. Levou Peter até garagem. – ficar de castigo pra sempre.
– É por uma boa causa. Valeu, cara – disse Peter. Empurrou a moto até o fim da rua, onde montou e ligou...
Em alguns minutos estava na rodovia. A pista estava escorregadia, mas ele não reduziu a velocidade. Estava anoitecendo e nenhum carro passava por ele. No meio da pista, uma árvore tombada. “Ah, meu Deus”, pensou Peter e enveredou pela floresta ao lado da pista.
A neve caía em espirais, cada vez mais densa. Deveria ter trazido um casaco... Achou um atalho e seguiu por ele; talvez chegasse mais rápido.
De repente, a moto parou. “O que foi agora?”, perguntou-se. Tentou ligar de novo. Nada. Deu um chute no pneu e percebeu, entre as árvores, dois olhos enormes e brilhantes, espreitando-o.
Três lobos saltaram à sua frente e o cercaram. Ele abaixou-se e pegou um galho no chão. Um lobo atacou-o, fazendo com que caísse e batesse a cabeça no chão gelado. Peter colocou o galho na frente e o bicho partiu-o, enterrando os dentes em seu braço. Ele sentiu um dor lascinante. Ouviu um estampido e o lobo tombou de lado. Os outros correram, enquanto ele perdia os sentidos...

CAPÍTULO NOVE
No dia seguinte, Lory acordou. O sr. e a sra. Watson ficaram muito felizes, só não sabiam como contar a ela que Peter havia sumido. A garota perguntou por ele e por Fred. Seu pai tinha proibido Fred de vê-la, segundo a mãe; atitude que deixou Lory aborrecida.
– E o Peter... – sua mãe parou. – Bom, ele sumiu. Achamos que ele foi até a cidade buscar a vacina. Estamos muito preocupados, principalmente a Camille.
– Corajoso seu namorado – disse a enfermeira, enquanto colocava outro soro. – Gostaria que meu noivo fizesse a metade por mim. – E suspirou. Lory sorriu, mesmo cheia de dores.
Alguém bateu na porta. Era Charlotte.
– Tudo bem, Lory? Posso falar com você?
A sra. Watson e a enfermeira saíram...
Peter acordou num hospital, em Vancouver. Levantou-se com a cabeça latejando. Seu braço estava enfaixado e o rosto cheio de arranhões.
– Pensei que tinha morrido, rapaz – disse um homem forte, de bigode, ao lado da sua cama.
– O senhor me salvou? – perguntou ele. – Obrigada mesmo. Mas ainda preciso da sua ajuda. – Contou sobre Lory. Jhon – este era o nome do homem – disse que iria ajudá-lo. ­
Eles estavam no carro de Jhon, com a moto na carroceria e a vacina num recipiente próprio. O homem contou a Peter que estava caçando, quando o viu lutando com o lobo e atirou. Depois o levou até a cidade, rezando para que ele não morresse...
Anna chegou à rodoviária. Sua mãe estava esperando-a e contou tudo que acontecera, mas ela decidiu passar na casa de Fred antes de ir ao hospital.
– Que bom ter você aqui – disse Fred, abraçando-a com um braço só, assim que abriu a porta.
– Você tá bem? – ela perguntou, enquanto entravam em casa.
– Tô. E você?
A garota se desmanchou em lágrimas: – Ele morreu.
– Sinto muito – disse Fred, abraçando-a novamente. O celular dele tocou. Era Peter, dizendo que estava no hospital, com a vacina.

CAPÍTULO DEZ
Depois que a enfermeira saiu, Peter, Fred e Anna entraram no quarto para ver Lory. A garota ficou super feliz. Logo, Mel e Kate apareceram, além de vários outros colegas.
Lory e Peter só puderam conversar sozinhos após as visitas irem embora.
– Você vai me perdoar algum dia? – perguntou Peter, sentado ao lado da cama.
– Você me salvou – ela sorriu. – A Charlotte veio aqui. Me contou que ela tá com leucemia e você estava mantendo ela longe do desespero. Foram estas as palavras que ela usou.
– Você não tá mais zangada comigo?
– Como poderia ficar zangada com alguém que enfrenta lobos por mim – respondeu a garota, observando os arranhões no rosto do garoto e o braço enfaixado.
– Faria tudo de novo – ele sorriu. E a abraçou.
EPÍLOGO
Era o dia do Baile de Inverno. Lory estava melhor, mas teve de usar um vestido longo, por causa da perna, ainda com curativo, e nada de salto.
A festa seria na quadra da escola porque estava nevando e fazendo muito frio. Mel, Kate e Charlotte tinham feito um ótimo trabalho. As luzes davam uma sensação de fim de tarde e havia neve artificial. O tema era "Sob a luz do crepúsculo". A música alternava entre romântica e agitada. E havia uma mesa enorme com salgados e bebidas.
Lory e Peter entraram na quadra de mãos dadas. A garota ficou sentada, conversando com a srta. Hernandéz, até a mulher ser chamada para anunciar o rei e a rainha do Baile. Lory deixou Mel e Kate dançarem com Peter.
– Como você tá? – perguntou Charlotte, sentando perto de Lory.
– Bem. E você?
– Bem. Viajo amanhã.
– Vai dar tudo certo – disse Lory, apertando a mão de Charlotte.
A professora de Espanhol pediu para parar a música e chamou a atenção para anunciar os vencedores.
– O rei – abriu o envelope. – Peter Baudelaire. E a rainha... Lory Watson.
Os dois subiram ao palco, sob as palmas e assobios. Receberam as coroas e fizeram os agradecimentos. As princesas foram Anna e Mel.
– Pra você – disse Lory, tirando a coroa e colocando-a na cabeça de Charlotte.
– Obrigada – disse a garota, surpresa.
Começou uma música romântica. Fred tirou Anna para dançar e Peter tirou Lory.
– Você aceita namorar 'comigo'? – perguntou Fred a Anna, enquanto dançavam.
– Aceito. – Os dois beijaram-se.
Peter colocou os pés de Lory em cima dos seus, para não forçar a perna dela. A garota sorriu.
– Tenho uma coisa pra te contar. Meu pai foi preso e ele devolveu o nosso dinheiro – disse Peter.
– Que chato – disse Lory. – Por ele estar preso.
– Não por muito tempo. Ele tem uma irmã advogada. Mas não vamos falar sobre isso. – Ele colocou ela no chão e pegou uma caixinha de veludo no bolso. – Aceita namorar comigo? E daqui a alguns anos, ser minha noiva e minha esposa? – perguntou, abrindo a caixinha. Dentro havia um par de anéis.
– Aceito – disse Lory, sorrindo
– Eu te amo – disse Peter, colocando o anel no dedo de Lory, na mão direita.
– Eu te amo, também – disse ela, colocando o anel no dedo dele. Eles se beijaram. Lá fora, o sol se escondia, jogando sua luz avermelhada, sob a cidade, enquanto escurecia. Era meia-noite.
Copyright Soraya Freire, 2009.
Personagens, livros, filmes ou produtos relacionados, da série Crepúsculo, são propriedade de Stephanie Meyer e Summit Entertainment. Todos os direitos reservados. Esse livro não é parte integrante da série. E não tem intenção de promovê-la ou criticá-la. Nomes, lugares, fatos e opiniões são fictícios.
É isso aí. Espero que tenham gostado:)